Nos últimos anos, venho acompanhando de perto o crescimento das healthtechs brasileiras, tanto pelo ângulo profissional quanto observando relatos de colegas da área. A promessa de transformar o acesso à saúde, usando tecnologia, ainda é um sonho que inspira, mas enfrenta barreiras que persistem e se renovam. Em 2026, inovar nesse setor será ainda mais desafiador, mas, certamente, também mais necessário.
Panorama atual e crescimento do setor
O Brasil se destaca na América Latina por ser sede de quase 65% das healthtechs da região, segundo dados recentes publicados em março de 2025. O setor atraiu US$ 253,7 milhões em investimentos em 2024, crescendo cerca de 37,6% em relação ao ano anterior (Brasil concentra quase 65% de healthtechs da América Latina). Os números sinalizam entusiasmo, mas, ao olhar mais fundo, a realidade é menos gloriosa: boa parte dessas startups ainda lida com dúvidas sobre quando e como seu impacto realmente chegará ao paciente na ponta.
Entre as tendências que mais me chamaram a atenção, destaco a crescente adoção de Inteligência Artificial no setor, que passou de 14% para 20% em apenas dois anos, segundo os mesmos dados de 2025. Essa é uma direção clara para as healthtechs que querem se manter relevantes e inovadoras nos próximos anos.

Desafios financeiros e amadurecimento do investimento
Apesar do otimismo no volume de negócios, o setor sofreu uma retração no faturamento em 2024, movimentando R$ 799 milhões, uma queda de 24% em relação ao ano anterior. O perfil do investidor também mudou: aumentou o número de startups que conseguiram captar recursos (38% a mais), mesmo diante desse encolhimento (healthtechs cresceram investimentos apesar de queda no faturamento).
Para mim, há uma explicação simples: os investimentos estão menos concentrados e mais criteriosos, buscando startups maduras e com potencial real. Ainda assim, uma parte expressiva, 60,9%, nunca recebeu aporte, segundo levantamento da Abstartups (mais de 60% das healthtechs nunca receberam investimento). Isso impõe um desafio extra: inovar com poucos recursos, mantendo a busca por diferenciais.
Inovar na saúde exige resiliência, visão e muita paciência.
Inovação regulatória e o desafio da interoperabilidade
É impossível falar de inovação em saúde, no Brasil, sem mencionar a complexidade regulatória. Já presenciei vários projetos promissores naufragando por conta de interpretações diferentes entre órgãos reguladores. Além disso, a exigência de garantir segurança e privacidade dos dados de saúde, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), dificulta a implantação de soluções digitais rápidas e flexíveis.
Outro entrave de peso é a fragmentação dos sistemas: diferentes plataformas, tanto públicas quanto privadas, não conversam entre si. A interoperabilidade ainda é um objetivo distante para a maioria. Projetos como a Meddic surgem justamente para atacar esse problema, buscando integrar informações e permitir um atendimento mais coordenado. Tenho visto conversas promissoras entre profissionais de TI e saúde, mas ainda falta um conjunto de padrões nacionais obrigatórios, aceitos por todos os elos da cadeia.
Burocracia e setor público: uma longa estrada
Não posso ignorar a dimensão do setor público. A maior parte do atendimento em saúde no Brasil ainda depende do Sistema Único de Saúde (SUS). Para as healthtechs, isso traz obstáculos burocráticos, licitações lentas, contratos rígidos, dificuldade de diálogo direto com quem toma decisões. Muitas startups preferem focar em clínicas e hospitais privados, ou em soluções B2C, mas, ainda assim, perder o SUS significa deixar milhões de brasileiros de fora da inovação.
Em experiências que acompanhei, projetos-piloto costumam demandar meses de negociações, além de adaptações contínuas à legislação. Quem quer inovar com impacto amplo, precisa aprender a traduzir a linguagem do setor público e construir pontes de confiança.
Transformação cultural dos profissionais e dos pacientes
Sempre que participo de eventos de inovação em saúde, noto que a tecnologia não caminha sozinha. Profissionais e pacientes ainda têm receios: médicos com medo de serem substituídos por IA, pacientes receosos com uso de dados, gestores preocupados com custos. A adoção de tecnologia na saúde brasileira só será real quando houver mudanças profundas na cultura organizacional.
- Treinamentos contínuos
- Boas práticas documentadas
- Transparência sobre como os dados serão usados
- Diálogo aberto entre equipes multidisciplinares
Empresas como a Meddic se preocupam especialmente com essa dimensão humana. O objetivo é empoderar profissionais e pacientes, não substituí-los ou criar barreiras.
Tecnologias exponenciais e tendências até 2026
Pensando nos próximos dois anos, vejo pelo menos três áreas com potencial de mudar o jogo:
- Inteligência Artificial aplicada a diagnósticos, medicina preditiva e gestão populacional
- Soluções de interoperabilidade segura, focadas na troca de dados entre diferentes sistemas
- Modelos de cuidado integrado, que reúnem informações clínicas, laboratoriais e hábitos de vida do paciente
O movimento de aumento da Inteligência Artificial nas healthtechs brasileiras (aumento de uso de IA nas healthtechs) demonstra uma maturidade crescente. Hoje, projetos como teranóstico em medicina nuclear já são realidade em algumas instituições, mostrando que inovar é possível, mas exige ciência, ética e responsabilidade.

Para quem quer se aprofundar nesses desafios, o blog da Meddic detalha obstáculos e oportunidades do setor.
Caminhos para inovar: colaboração e persistência
Acredito que o futuro das healthtechs brasileiras passa invariavelmente pela colaboração: entre empresas, governo, academia e pacientes. Sozinho, ninguém inova na saúde. Estar aberto ao diálogo, compartilhar conhecimento e buscar padrões comuns é o que permitirá criar soluções de impacto até 2026.
- Participação ativa em redes de inovação
- Desenvolvimento conjunto de provas de conceito
- Compartilhamento de dados (seguindo LGPD!) para treinamentos de algoritmos
- Co-criação com profissionais da ponta
Para mim, é inspirador ver projetos que buscam dar autonomia aos usuários, sejam eles pacientes ou profissionais, tal qual a proposta da Meddic. Com menos hierarquia e mais escuta, o setor tem muito a ganhar, principalmente no atendimento integrado e mais humano.
Conclusão
O cenário para as healthtechs no Brasil em 2026 é complexo, mas animador. Inovar exigirá mais do que tecnologia de ponta: será preciso entender o contexto, superar burocracias, integrar sistemas, ouvir o usuário desde o início, e transformar a cultura organizacional.
Inovação em saúde começa por quem sente o problema, e termina com quem, finalmente, encontra uma solução conjunta.
Se você também acredita em soluções tecnológicas humanizadas e integradas, conheça mais sobre a Meddic e descubra como podemos juntos transformar o acesso à informação e à saúde no Brasil.
Perguntas frequentes sobre healthtechs
O que são healthtechs?
Healthtechs são empresas que buscam transformar o setor de saúde por meio da tecnologia. Elas desenvolvem desde plataformas de gestão, apps para pacientes, até soluções que facilitam diagnósticos e tratamentos, com o objetivo de tornar o acesso à saúde mais simples, ágil e acessível.
Quais desafios as healthtechs enfrentam no Brasil?
As principais barreiras incluem dificuldade de captar investimentos, burocracia regulatória, baixa interoperabilidade entre sistemas, desafios culturais de adoção por parte de profissionais e pacientes, além do acesso restrito ao setor público.
Como inovar em healthtechs no Brasil?
Inovar depende de colaboração entre múltiplos setores, investimento contínuo em tecnologia como Inteligência Artificial e integração de sistemas, além de postura aberta à mudança cultural nas organizações.
Vale a pena investir em healthtechs brasileiras?
Apesar dos desafios, o setor mostra potencial de crescimento, com aumento de investimento qualificado e amadurecimento das startups. Empresas alinhadas com tendências tecnológicas e preocupadas com experiência do usuário costumam apresentar boas oportunidades.
Quais são as melhores healthtechs do Brasil?
No Brasil, empresas com propostas de integração de dados, atenção à experiência do paciente e foco em soluções personalizadas têm se destacado. Projetos como o da Meddic, que apostam em saúde integrada e tecnológica, são bons exemplos do novo cenário nacional.
